terça-feira, 23 de novembro de 2010
Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças
Ter uma mãe é maravilhoso. Eu, particularmente, tive a honra de ter duas. Durante a minha infância, apesar de sempre ter minha mãe por perto, era com minha avó que eu morava. Dela eu recebi o carinho e os mimos de avó, mas também os valores e princípios de dignidade e bom caráter, que cuido para sempre regerem a minha vida. Mas o tempo passa, e tem coisas que não temos a capacidade de lutar, por mais que queiramos. Quando a saúde vai embora, não tem dinheiro no mundo, não tem amor, não tem nada que a traga de volta. No caso, o Alzheimer foi o diagnóstico. Os anos passam, a doença toma conta; perdem-se as lembranças, a lucidez, a dignidade. Agora, novo diagnóstico de câncer e suas metástases. E daí você descobre que uma coisa não foi embora: a dor. A pessoa perde tudo, e a dor fica ali, acompanhante final. A dela, e a nossa. Você deseja que venha a paz, que ela descanse. Mas quando a ida se torna real, ela dói. 'Egoisticamente' ela dói. O adeus é muito longo. O nunca mais é muito tempo.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
um assim meio sei lá
Depois daquelas cinzas de verde marguerita nem se pode querer mais nada. Muito menos exigir. Sentia ela um nada inexplicável. Talvez um mero desarrojado passar pela vida momentaneamente. Nem sequer sabia se esta palavra existia, mas que outra senão esta. Dividia assim as coisas pelas quais andava sentindo. Das mais loucas às enebriadas. E estava assim, a inventar palavras, porque se delas não se pode utilizar então de que servem afinal.
O céu ia se empoeirando de um olhar sujo. Não gostava do que via, mas e que adiantava, se nada ia servir o gostar ou não da paisagem do olho que refletia. Nada servia. Caminha que é pra ver se a cabeça vem junto correndo, estabanada.
O cansaço que vê nas esquinas de toda a cidade com sua grande sujeira e poeira poluída. O ar que pesa.
E ainda assim, como diz Lispector, de mim, só se sabe que respiro.
O céu ia se empoeirando de um olhar sujo. Não gostava do que via, mas e que adiantava, se nada ia servir o gostar ou não da paisagem do olho que refletia. Nada servia. Caminha que é pra ver se a cabeça vem junto correndo, estabanada.
O cansaço que vê nas esquinas de toda a cidade com sua grande sujeira e poeira poluída. O ar que pesa.
E ainda assim, como diz Lispector, de mim, só se sabe que respiro.
domingo, 16 de maio de 2010
vive esperando alguém que caiba nos seus sonhos...
Afinal, qual a dificuldade, eu gostaria de saber. Quem vive esperando alguém que caiba nos seus sonhos? Mas afinal o que seria se não isso? As perguntas vão tomando conta das afirmações. Ou melhor, as certezas dando espaço para as dúvidas. Será que alguma vez foram certezas absolutas? Esta tênue linha limitante, do certo pro duvidoso, na verdade, sempre se fez presente. É algo mais que ação e sentimento, que supera o nível da dubiedade, atravessando, chegando ao que está em volta. Ou não. Ao menos, deveria. Porque não se quer, porque se quer conter, manter na dubiedade, no controle interno. Avisem que os meio-termos existem para manter o equilíbrio, não para fugir dele. Não para se esconder até que se ache alguém que caiba nos sonhos. Não para fugir de ter encontrado alguém que cabe nos seus sonhos. E se não houver sonho, não pode simplesmente caber na sua realidade? Pois que venha a grandeza e a coragem, para aqueles que não sabem amar. Ou para os que não querem. Ou ainda, para os que não aceitam.
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